Fi-lândia

E ela disse:

- Eu sei que se eu me jogar eu vou cair e posso não voltar mais. Se eu voltar eu subo a escada novamente, não tem problema. Eu subo, e subo, e subo até chegar lá em cima novamente e me jogar. Eu sei que eu vou cair. Mais eu não me importo. Eu sei que eu vou ficar totalmente fraturada, mas quem liga? Eu quero isso. Eu preciso, aqui e agora. Faz pouco tempo. Talvez uns dois dias? Não me interesso. E nesse meio período tudo aconteceu. Aconteceu deu cair. Os médicos superiores nem sabiam o que fazer comigo. Eles olharam meus olhos. Eles sabiam. Eu estava assustada e machucada por conta da queda, mais eu lutava com veracidade para sobreviver. Eu precisava sobreviver para me jogar novamente. Eu sei que sou quase masoquista, sei que tenho a necessidade de me jogar. Mas a sensação de voar, de estar livre, de precisar só da queda é tão deliciosa, tão excitante. Não posso evitar. E nesse pula-sobrevive-necessidade-pulo eu vivo segundos a espera. Eu abri a janela naquele instante e olhei a rua. Um pulo quase fatal, mas era lá embaixo onde eu deveria estar. Aquilo que eu almejava só conseguiria quando eu pulasse. E eu pulei. O ar me abraçou com força. Cai. Dessa vez não me machuquei. Afinal depois de tantos pulos nós nos acostumamos. Precisava de uma janela mais alta. É assim que eu vi a minha vida. Tudo o que eu queria era um salto, para chegar até meu objetivo final. A realização dos meus desejos. Eu pulei uma vez. Eu não quero mais deixar de pular. Não importa o que aconteça. Se eu não pular nada acontecerá. Então? Eu pulo.

By: Fillipa.



- Postado por quem? Fih Quando? 19h13
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