Fi-lândia

Gabriela passou na frente da loja como fazia todos os dias. A porta sempre aberta até as oito da noite quando as luzes se apagavam e parecia que o cheirinho e o barulho iam embora. Ela queria ser sempre a chegar para pegar o pão fresco de novidades. Gabriela amava aquela padaria com um amor irrefutável. Até mesmo filosofastro.

Ela entrou com sua mochila nas costas. A padaria era o caminho da escola. Entrou. Rodou as prateleiras a procura de seu fascínio. Sim! Gabriela era apaixonada. Loucamente, perdidamente apaixonada em conflitos funestos com sua mente. Ela amava chocolates. Um em especifico.

Chegou perto de uma prateleira onde só se vendia dessas especiarias maravilhosas, quase dádivas de um cacau distante. Ela olhou todos os embrulhos. As suas formas, as suas cores e apenas um deles a fez se deliciar. Gabi lambeu um dos beiços como criança que espera o doce a muito esquecido. Ela viu o pacotinho amarelo cheio de bolinhas amarelas. Tudo que ela desejava. Pegou um dos pacotinhos e saiu correndo para o caixa.

-Só o MM’s hoje Gabi? –perguntou o caixa.

Ela sorriu que sim e ele entregou o pacote a menina que saiu festejando e alegre da padaria. Abriu o pacotinho. Mal podia esperar. Despejou algumas castanhas do chocolate na palma da mão e uma delas era diferente de todas. Apesar de todas serem amarelinha aquela era marronzinha. Chamou tanta atenção que ela quis provar. Sentia medo. Será que não estava estragada? Meditou algum tempo. Alguns minutos. Resolveu provar. Levou a castainha até a boca, mas uma menina passou correndo sabe-se lá atrás do que e deixou com que o pedacinho do chocolate se estragasse caindo ao chão.

Uma raiva subir até o final da massa cinza de Gabriela e ela se sentiu mal. Queria chorar ali, na frente de todo mundo. Ficou com medo. Não podia parecer fraca por causa de um chocolate. Que coisa mais fútil. Não podia mesmo. Resolver continuar vendo o conteúdo do pacote. Despejou mais chocolatinhos na mão. Um azul apareceu dessa vez. Ela não pensou muito e comeu. Como era bom o gosto da castainha azul. Era doce, diferente das outras. É até esse instante o doce mais gostoso que comera.

De repente acontece o inesperado. Uma dor forte ardeu em sua cabeça. Ela sentiu-se culpada por ter comido aquela pequena bolinha. Queria voltar e não engolir. Era tarde. Ficou mal. Com o tempo isso passou. O amor pelos chocolates não morreu e ela ainda queria experimentar mais uma vez a bolinha azul. Ela ainda passa todos os dias pela padaria, entra, dá uma espiada, vai até a prateleira de MM’s, tira o pacotinho do lugar, mas acaba indo embora sem nem mesmo tocar no doce.

O que Gabriela sente? Amor pelos chocolates, ânsia de comer o marronzinho que caiu e medo e desejo de provar de novo a pequena replica da bolinha azul. Se ela conseguiu um dos dois? Em outro conto eu conto. Mas que ela ainda sente o cheirinho doce dos MM’s, humm, isso ela sente.

Por Fillipa. Para Bruno.



- Postado por quem? Fih Quando? 21h33
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A luz da lua cortou o meu cabelo. E eu sabia, era a única. Eu estava naquele beco de todos os dias, sozinha como todos os dias, quieta como todos os dias. Eu me segurei na mochila como para me proteger. Ela sabia, era claro que sabia.

Meus passos foram ficando mais rápidos. Era preciso fugir. Eu quase me quebrei em frente aos buracos e elevações daquele beco, mas eu continuei a andar. E andei. Não cai. E luz da lua cortou o meu cabelo. Eu estava naquele beco de todos os dias. Um vulto passou por mim. Tudo era escuro, menos eu. E eu sabia, era a única. Comecei a falar, mas falava sozinha. E naquele escuro. Eu cheguei finalmente numa travessa que eu bem conhecia. Não! Eu queria continuar, até o final, sem atalhos. E fui. Pelo mesmo caminho difícil das outras vezes.

A luz da lua cortou o meu cabelo. Ela sabia, era claro que sabia. Eu precisava andar. Meus pés já não eram como antes. Eu estava cansada, meu corpo e mente, pediam descanso. Eu não poderia parar, sabia disso. Era preciso fugir. Meus pés não paravam. O caminho não mais me excitava como antes. Comecei a falar, mas falava sozinha. Um frio bateu em meu corpo. Tudo era escuro, menos eu.

A luz da lua cortou o meu cabelo. Enfim acabou a caminhada. Continuei, bati a porta. Ele sorriu para mim e me deixou entrar. O abracei. Chorei. Eu sabia, era a única. Acabou enfim. Não ia mais andar. Subi. A luz da lua cortou o meu cabelo. Ela sabia, era claro que sabia. Nunca mais.

Por: Fillipa.



- Postado por quem? Fih Quando? 22h01
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