Fi-lândia

Toda semana ela passava na frente das vitrines e escolhia seu preferido. Era redondo e branco. Ela entrava, negociava, dava o dinheiro e ia escondida pro quarto com ele. É claro sua mãe não podia saber. E se soubesse era capaz de bater na menina.

Toda semana ela passava na frente das vitrines e escolhia seu preferido. Era redondo e branco. Era grande. Às vezes ele ficava com umas pintinhas vermelhas, outras com uns riscos vermelhos. Tinha dia que estava todinho vermelho. Só gostava de branco e vermelho. Ela adora aquilo. E todos os dias depois de ir para o quarto com ele ela fazia o mesmo ritual. Claro tudo em silencio, pois sua mãe nem podia imaginar.

Primeiro ela tirava o embrulho (que era só uma fitinha no palito). Olhava pra ele redondo e branco (às vezes vermelho). Segundo ela rodava o palito com os dedos para observar todos os detalhes. Ai ela começa. Lambia, chupava e mordia com vontade e com saudade, afinal era uma só vez na semana. Mas o que ela queria mesmo era o que tinha dentro. Era branquinho também, mas era mole e ela podia mastigar. Ela chupava até que tudo era alegria e ela comia a coisinha branca e mole.

Era sempre assim, sempre que ela terminava sua mãe gritava da escada que o jantar estava na mesa. Ela corria pro banheiro e escovava os dentes. E descia correndo pra jantar. Ai dela se a mãe descobrisse que ela ia toda a semana na doceira comprar pirulito de chiclete. Ai dela.

Texto por: Fillipa.



- Postado por quem? Fih Quando? 23h39
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