Fi-lândia

Ele era como eu sou e como você deve ser: normal. Roupas alegres quando a felicidade o invadia, carregada de um riso maroto, a tranqüilidade amena, o doce e insípido sentimento de alma de alegria. Ele era como o arco-íris, como as nuvens alvas que a brisa beija de leve, radiante feio estrelinha do céu ou do mar, não importando a origem. Mas tudo mudou. Tudo muda quando acontece. Ele sorria quando sorriam, ele ria o riso da paz, da serena. Foi naquela madrugada que o suor correu gélido, foi naquela madrugada que ele descobriu tudo, aconteceu e tudo mudou. 

No mês anterior havia conhecido a flor que brota nos jardins encantados. Era cheirosa, bonita e fazia maravilhas, como qualquer droga natural. Poderia ser a folha verde, o pó alvo, o liquido sem cores, mas não. Era pior, era melhor, era mais forte, superior. Mais cara. Disseram-me certa vez que drogas podem causar um vicio, a morte e o pior de tudo: a loucura. Eu achei bobagem.

Ele provou da flor como se prova da água da fonte, e ele soube que tudo se tornara tarde. Ele sorriu um dia, mas sentia como se jamais voltaria a sorrir. Não. Ele se tornou doente, o branco louco dos espaços o atingiu. Primeiro o vicio, aquela necessidade de possuir tudo, de possuir todo o tempo, de possuir só para si. O ciúme, a dor, o sangue desabitando o coração e fluindo as veias e o cérebro. O vicio.

Depois, a morte. A morte da percepção de que um mundo sensível existia. Só e somente só o mundo das idéias. A alma deixou seu corpo fétido, caído ao chão, podre, destruído. O sangue ausentou-se da compania do coração. Nunca mais um sorriso, a menos que a morte não fosse total. Ele pensava então que jamais conseguiria levantar-se para tocar na flor que tanto desejou e que não permitia que seu cérebro também o abandonasse. A morte.

Por ultimo, a loucura. Ele jamais permitiu em seu ser imaginar sua flor ser beijada por qualquer outro ser, mesmo um pássaro, uma águia, um beija-flor mais encantador ou o inseto mais funesto. Então, após a morte de todos os seus sentidos a gargalhada tomou lugar em sua garganta e vibraram sua boca inúmera vezes. Os olhos que antes eram vivos e depois mortos abriram-se dementes, confusos, cobertos de lagrimas, de ódio, de raiva, de dor, de ânsia, de angústia, de medo, de pavor, de solidão, de loucura, de amor, de paixão. A loucura.

Engraçado como o ser humano torna-se frágil por uma simples florzinha, por um botão tão simplório. Qualquer coisinha que o fez perder a vida, o corpo e o sentido. Pode a mente ser tão inimiga da alegria e da felicidade a ponto de criar imagens jamais vistas? Nunca soube. Ele já não permanece na alegria. A loucura o viveu, o permaneceu, o conheceu em sua essência. Pior que o vicio e a morte, a loucura, porque ela faz com que haja coisas, fatos e pessoas que não há.  Ele vive ainda, no entanto viver não é o código certo para defini-lo. Ele permanece, em seu corpo destruído, sem alma. Com o riso mais belo de louco que já conheci. O infeliz mais feliz que o mundo abriga em seu seio amargo e seco. Sua vida destruída por uma única flor, um único olhas, um único toque nos lábios, um único momento que permitiu a entrada da paixão. Ah paixão! Inimiga suprema da paz, da alegria, da alma.

Disseram-me certa vez que drogas podem causar um vicio, a morte e o pior de tudo: a loucura. Eu achei bobagem. Não acho mais.

PS: Texto por mim.



- Postado por quem? Fih Quando? 18h02
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